Ao contrário do que
se pode imaginar à primeira vista, não fizemos um livro
"chapabranca", de publicidade laudatória da instituição.
Reconhecendo no Diário Oficial um importante e fundamental instrumento
de transparência das ações político-governamentais
— não custa lembrar que leis, decretos e resoluções
só têm valor depois de publicados —, fomos buscar
nas suas páginas aspectos, positivos e negativos, da história
capixaba que nossos governantes escreveram com seus atos oficiais.
No primeiro capítulo, falamos da origem da imprensa oficial e
de sua chegada ao Brasil. Logo após, escrevemos sobre a trajetória
dos 115 anos da instituição em terras capixabas. Em seguida,
vêm capítulos dedicados a cada uma das décadas desse
período, de 1890 a 2005, tendo em vista os atos governamentais
publicados.
Tem-se um retrato intrigante de nossa trajetória contemporânea.
Nesse passeio histórico, podemos vislumbrar o início e
também o fim de ciclos, projetos e empreendimentos políticos
e econômicos, emoldurados pelo coronelismo, pela democracia, pela
ditadura e também pelo crime instalado nas estruturas governativas.
Acessamos informações que esclarecem muitos dos porquês
de nossa face cultural, assim como de nossa tragédia social e
política, esta constituída, principalmente, nos últimos
anos do século XX. Tudo com a assinatura dos chefes do Executivo.
Para ir alem da mera descrição das leis e atos, que sempre
têm o lustro da legalidade, mas que, às vezes, viabilizam
estratégias e jogadas nem tão legais assim, buscamos o
auxílio de dados e investigações promovidas por
autoridades públicas, assim como análises de jornalistas,
especialistas, professores e pesquisadores capixabas. Apesar dessa contextualização,
alertamos que o livro não buscou retratar os governos em sua
completude, tendo os autores se dedicado a atos que julgavam relevantes,
sob os aspectos econômico, político, cultural e ambiental.